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REVISTA

SINDLOC SP

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REVISTA

SINDLOC SP

A

mudança de hábitos dos con-

sumidores, com foco no uso

em detrimento da propriedade

do automóvel, começa a despertar as

montadoras para um nicho não ex-

plorado até então. À procura de novas

fontes de receita, importantes indús-

trias em atuação no país apostam na

diversificação de serviços e ensaiam

a entrada no segmento de locação.

O resultado ainda é uma incógnita,

mas esse movimento poderá se tor-

nar uma tendência e posicionar as fa-

bricantes como concorrentes de seu

principal mercado consumidor?

Em setembro deste ano, a Toyo-

ta deu início à operação de aluguel

de modelos para pessoas físicas, por

meio de sua rede de concessionárias e

com possibilidade de locação por hora.

O serviço está disponível em12 reven-

NOVACONCORRÊNCIAno

RADAR?

Em busca de novas

receitas, montadoras

começam a investir

na locação de parte

de suas frotas

Bigstock

VW, que há dois anos mantém a locação de carros, estendeu

agora a operação para as modalidades caminhão e ônibus

agora com as modalidades caminhão

e ônibus, em caráter experimental.

A próxima etapa prevista é a locação

para pessoa física.

“Inicialmente destinaremos a ope-

ração para um grupo de controle. Va-

mos oferecer a locação para funcioná-

rios de empresas, muitas delas

parceiras nossas”, observa Rodrigo

Capuruço, diretor do Volkswagen Fi-

nancial Service. A Fleet deve encerrar

o ano com frota de 10 mil carros. Uma

de suas principais clientes é a Kovi,

que realoca os veículos para motoris-

tas de aplicativos. A startup, aliás, fir-

mou recente parceria com as locado-

ras associadas ao

Sindloc-SP.

A General Motors projeta também

ingressar nesse segmento, por meio

de seu banco, mas focará a atuação

em frotas corporativas. O presidente

da empresa, Carlos Zarlenga, é taxati-

vo ao afirmar: “Não vamos competir

com as locadoras”. A Nissan é outra

companhia a estudar essa alternativa.

O gerenciamento de frotas é uma das

apostas do setor. A PSA Peugeot Ci-

troën iniciou teste com um serviço

chamado de Connect Fleet, direciona-

do a todas asmarcas de veículos. Ope-

ra por telemetria e é o primeiro da divi-

são global de mobilidade do grupo, a

Free2Move, a ser introduzido no país.

Uma tendência

Ricardo Bacellar, consultor líder

da KPMG para a área automotiva,

prevê dificuldades para as montado-

ras em razão do atual cenário da in-

dústria de aluguel de veículos no

Brasil. “As locadoras apresentam re-

sultados financeiros maravilhosos,

enquanto as montadoras operam

com margens espremidas”, acredita.

No entanto, o especialista reitera

que a concorrência é uma possibili-

dade concreta, pela busca das mon-

tadoras por acessar novas receitas.

“Não vamos competir

com as locadoras”

CARLOS ZARLENGA

, presidente da GM, que

também estuda ingressar no segmento

Divulgação

das e chegará a 60 até o fim do ano,

distribuídas por seis capitais, incluin-

do São Paulo, e pelo interior paulista.

O Brasil é o segundo país da América

Latina a ter esse modelo implementa-

do, já em funcionamento na Argentina

desde o fim do ano passado. “Outro

movimento será o de estender o alu-

guel para clientes corporativos”, infor-

ma Miguel Fonseca, vice-presidente

de vendas.

Já a Volkswagen efetivou seus pla-

nos de ampliar o portfólio de serviços

gerenciado pela divisão de serviços

financeiros da companhia. A Fleet,

empresa formada há dois anos para

possibilitar o aluguel de automóveis

por médios e grandes frotistas, conta

Toyota já aluga veículos para

pessoas físicas, mas o VP de vendas

Miguel Fonseca (no detalhe) já

antecipa estender o serviço para

clientes corporativos

“O questionamento do setor é:

Nós fabricamos o produto essen-

cial para que o negócio da locação

exista. Por que nós mesmos não po-

demos fazer parte disso?”, adverte.

Bacellar destaca ainda que outros

segmentos podem assumir seu lu-

gar nessa competição. Ele cita como

exemplo a Amazon, que lançou em

junho um projeto-piloto de aluguel

de carros na Espanha. “As gigantes

da tecnologia possuem capital de

sobra para investir, o que pode influir

no desempenho de todos os players

do segmento”, avalia.

Com capilaridade, carteira de

clientes constituída e sólidos co-

nhecimentos sobre a região em

que atuam, as locadoras estão na

dianteira nessa corrida pelo ouro.

Mas é preciso que elas redobrem a

atenção, investindo em processos

inovadores e na otimização da ex-

periência dos clientes.

n

Divulgação