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REVISTA

SINDLOC SP

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SINDLOC SP

AS LOCADORAS SÃOPARTE DE uma

TRANSFORMAÇÃO INEVITÁVEL

E

mbora ainda não tenha superado a esperada

marca de 3 milhões de veículos emplacados, o

mercado automotivo conseguiu um crescimen-

to de 8,6% na comparação entre 2019 e 2018. Ao todo

foram comercializados 2,7 milhões de unidades, o que

representou o melhor ano de resultados domésticos

desde 2014 e colaborou para que o Brasil subisse da

oitava para a sexta posição global. Mas um percen-

tual específico chamou a atenção e foi ressaltado por

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: 45% desse

movimento foi influenciado pelas vendas diretas, con-

tra 23% em 2013. Para o dirigente, essa relevância é a

prova clara de uma mudança necessária e que sinaliza

tempos novos e irreversíveis.

As vendas diretas vieram para ficar e

apontam o futuro do setor?

Sem dúvida. A exemplo de mercados mais avan-

çados, o novo modelo de negócios do Brasil indica que

as vendas diretas tendem a manter um elevado pa-

tamar de importância, tanto para atender frotistas,

gestores de frotas e locadoras como empresas que

representam as novas opções de mobilidade

pay-per-

-use

. É claro que o setor de locação divide espaço nes-

sa atividade com entidades governamentais, taxistas

e com as próprias concessionárias, que comercializam

os veículos para pessoas com deficiência (PCD). Mas

ele é parte fundamental nesse momento transforma-

dor em que vivemos.

Uma eventual recuperação das vendas ao

consumidor pode reverter esse cenário?

É bom lembrar que o público PCD é um consumi-

dor final. Mas, independentemente disso, a atual pro-

porção de negócios obriga o sistema de distribuição

Os carros elétricos acompanham

essa rota de mudança?

Mais uma vez, é o perfil do consumidor que baliza o

mercado. O nível de exigência crescente dos clientes

pressupõe o advento de veículos com maior eficiência

energética e a implementação de programas como o

Rota 2030 cria estímulos para acelerar essa inovação.

E como 2020 pode contribuir para

agilizar a transformação?

Vejo um início de ano em condições melhores na com-

paração com 2019, especialmente pela queda acentuada

da inflação e pela redução da taxa Selic ao nível mais baixo

da história. Esperamos que, emalgummomento, essa ten-

dência se reflita emmelhores condições de financiamento

automotivo, já que a taxa de juros aplicada pelo mercado

aindabeira19%.Nessepanorama, osbancosdasmontado-

ras exercemumpapel importante. No entanto, toda trans-

formação exige competitividade, que requer uma rápida di-

minuição do custo Brasil. Uma reformulação do sistema de

pagamento e arrecadação de tributos possibilitaria reduzir

a capacidade ociosa das fábricas e dinamizar os negócios.

Mas vamos retomar picos como o

de 2012, quando atingimos 3,8 milhões

de emplacamentos?

Ainda temos um grande desafio relacionado às ex-

portações, que podem ainda seguir um viés de queda

se não atacarmos os resíduos tributários, por exemplo.

E também há uma conjuntura desfavorável, especial-

mente na Argentina, que dificilmente vai reagir neste

ano. Mesmo assim, prevemos que as vendas cheguem

a 3,05 milhões de unidades emplacadas. A percepção

do mercado automotivo de que mudanças são irrever-

síveis, aliada à agenda de reformas estruturantes da

gestão pública, pavimentará essa recuperação.

A integração de todos os segmentos ligados

ao ecossistema automotivo também será

determinante, isso é correto?

Sim, com certeza. O setor precisa semobilizar em con-

junto. No fim das contas, o objetivo de todos os atores do

mercado automotivo é chegar até o cliente final, cuja influ-

ência é determinante para o ritmo de transformação. Sob

esse ponto de vista, queremos intensificar a agenda de

debates da indústria com os demais segmentos, inclusive

as locadoras. Trata-se de uma sinergia necessária.

n

O presidente da Anfavea defende a relevância do setor e

crava o fim do modelo tradicional de distribuição de veículos

de veículos a repensar sua atuação, assim como as

fabricantes estão fazendo. O aumento da demanda

do transporte por aplicativos reforça essa mudan-

ça de hábito – hoje temos 253 empresas do gênero

em operação no país. E, no caso das locadoras, vale

ressaltar que elas não compram carro para deixar no

pátio. Compram porque têm demanda.

As montadoras estão, de fato, repensando

seu modelo. Mas o caminho entre a

reflexão e a execução está sendo exitoso?

A indústria está passando pela maior renovação

dos últimos 100 anos graças a um novo e irreversí-

vel processo de decisão do consumidor. O cliente não

deseja somente o veículo, mas também serviços de

conectividade que permitam aprimorar sua experi-

ência de uso e reduzir custos. E as fabricantes já en-

tenderam que não poderão promover sozinhas essa

renovação, tanto que algumas começaram a ingres-

sar na atividade de locação. O novo cenário implica

uma partilha de custos diferente, e as montadoras,

naturalmente, terão de se tornar prestadoras de

serviços de mobilidade.

A entrada desses players no segmento de

locação não pode ser uma ameaça?

Não vejo dessa maneira. A indústria está consta-

tando que precisa deixar de ser fabricante para se tor-

nar fornecedora de soluções e serviços. Mas isso não

quer dizer que o setor de locação será deixado de lado.

Pelo contrário, será um parceiro cada vez mais es-

tratégico, na medida em que continuará a demandar

grandes volumes, contribuindo para dinamizar a cadeia

produtiva e até ganhando espaço como canal de divul-

gação das montadoras.

Luiz Carlos Moraes

é economista de forma-

ção. Ele ingressou no setor automotivo em

1978 e iniciou sua carreira na Mercedes-Benz

do Brasil, na área de contabilidade, passan-

do por diversos setores da empresa, como

relacões governamentais e comunicaço

corporativa. Al m disso ele foi, inclusive,

um dos respons veis pela criação do banco

da montadora.

Em 2012, assumiu a vice-presidência da

Anfavea, cargo que ocupou at abril do ano

passado, quando foi empossado presidente.

Seu mandato estende-se at 2022.

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