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REVISTA

SINDLOC

SP

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REVISTA

SINDLOC

SP

AMENTALIDADEDOFUNDADOR

COMO FONTE DE PERPETUAÇÃO

DOS NEGÓCIOS

Empresas perdem competitividade

e espaço à medida que a visão

do fundador fica pelo caminho.

Saiba como evitar

E

m 90% dos casos, a manutenção de um crescimen-

to constante e saudável nas empresas depende de

causas internas. Raramente têm origem externas.

Para André Castellini, diretor e cofundador da consultoria

Bain & Company South America, uma companhia prós-

pera adota a “mentalidade do fundador” a fim de manter

a velocidade, o foco e a conexão com os clientes.

O exemplo vale para empresas de todos os setores

e segmentos. Na área de locação de veículos há muitos

casos emblemáticos, em que os fundadores desempe-

nharam um papel importante na gestão ou governança

de seus empreendimentos.

O que define o conceito “mentalidade de

fundador” e o que geralmente ocorre após

uma empresa se consolidar no mercado?

Todo nascimento de um negócio está associado à in-

surgência de seu idealizador. Trata-se de um empreen-

dedor que, em determinado momento, desafiou o mer-

cado, enxergando a si mesmo como uma pessoa

diferente das demais, com ideias vanguardistas. Con-

victo de que fará algo diferente ou superior à concorrên-

cia, ele toma as rédeas com praticidade.

Mas à medida que a empresa cresce e ganha os be-

nefícios de escala, o empreendimento tende a burocra-

tizar processos e deixa escapar essa característica.

Exemplo disso é que, das 40 maiores empresas de capi-

tal aberto em valor de mercado nos últimos cinco anos,

“Desempenho

superior é

determinado mais

pela liderança de

mercado, do que pela

seleção de mercado.

Você não pode

vencer externamente

se estiver perdendo

internamente

- insurgência,

obsessão na linha de

frente e espírito de

fundador alimentam

o crescimento”

de veículos conseguiu

se beneficiar desse tipo

de gestão?

O caso do setor de aluguel de au-

tomóveis é muito impactante. Quan-

do analisamos a evolução dos seis

principais

players

da indústria de loca-

ção de veículos nos últimos dez anos,

temos três locadoras cujos fundado-

res mantiveram um papel importante

na gestão ou na governança, que re-

gistraram ampliação na receita em

torno de 5% a 7%, enquanto as demais

não subirammais que 2,5%.

O que as lideranças devem

fazer para se manter na

dianteira?

Toda empresa enfrenta o “pa-

radoxo do crescimento”. O cresci-

mento traz complexidade, e ela im-

pede o crescimento. Os líderes que

investem para manter ou recuperar

a “mentalidade de fundador” são

capazes de controlar a complexida-

de à medida em que vão crescen-

do. Mas isso exige ter consciência

das forças que levam à erosão da

competitividade e à deterioração

do crescimento. Também é neces-

sário efetuar intervenções espe-

cíficas para recuperar um ou mais

elementos da “mentalidade de

fundador”, que são a insurgência,

obsessão com a linha de frente e

cabeça de dono.

Quais os fatores que

empurram a companhia

para baixo?

Basicamente são quatro itens.

Primeiro deve-se observar o ciclo vi-

cioso do negócio, já que evoluir pres-

supõe novas ferramentas e uma cul-

tura diferente. Um fundador muito

centralizador pode não ser a pessoa

certa para liderá-la no futuro. Em se-

gundo lugar, é preciso avaliar a es-

trutura matricial. Com o excesso de

departamentos, os tomadores de

decisão agem combase em informa-

ções transmitidas por outros depar-

tamentos, o que potencializa o risco

de distorção ou desconhecimento do

que pensa o cliente.

A operação fragmentada é ou-

tro empecilho. Por mais que

as operações de uma em-

presa sejam divididas

entre diversos seto-

res, o cliente sem-

pre entende a sua

experiência como

única, ou seja,

uma entrega defi-

citária de uma

área compromete

todas as demais.

Por fim, o fundador

afastado do negócio

pode levar à desmotiva-

ção da equipe, e os gestores

com maior potencial podem não

manter a energia necessária, ma-

tando a missão nobre inicial.

Que empresas ainda

conseguemmanter essa

filosofia?

Corporações como Azul, Maga-

zine Luiza e 99 ainda estão muito

calcadas na figura de seus criado-

res. Após a fase de expansão do

Magazine Luiza, chegava o mo-

mento de Luiza Trajano passar o

bastão para o filho Frederico, com

currículo moldado na cultura geren-

cial moderna. Porém, a transição

exigiu um ano e meio. Esse inter-

valo de amadurecimento foi deter-

minante para preparar a empresa.

Em 1997, a Apple recebia de volta

o fundador Steve Jobs. Mudou por

completo seu patamar.

E, quando isso não é possível,

a linha de frente da empresa deve

identificar, em todas as áreas, pro-

fissionais que mais carregam men-

talidade do fundador. Reinventar

é preciso, mas o olho do dono ain-

da faz a diferença.

n

QUEM:

André Castellini

DETALHE:

O executivo é diretor e cofundador do

escritório de consultoria de gestão Bain & Company

South America, localizado em São Paulo

Foto: Guto Marcondes

12 caírammais de dez posições no ranking e outras três

companhias, entre cinco e dez.

O que motivou essa queda?

O abandono e o distanciamento da figura do empre-

endedor/fundador contribuem para tornar a empresa

lenta, burocrática e perder também as vantagens de

escala. A empresa deixa de ser insurgente para ser incum-

bente. O desempenho de excelência é determinado mais

pela liderança do que pela seleção de mercado.

Como o setor de locação

Fonte:

Bain &

Company