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AS ELEIÇÕES DE 2018, ENTÃO,

NÃO PODEM REPRESENTAR

UM RETROCESSO?

Independentemente do históri-

co político, da ideologia e da linha de

pensamento, nenhum presidenciável

terá condições de modificar, de fato,

uma tendência universal. Qualquer

candidato terá de acomodar não só

seu discurso, como também suas es-

tratégias às regras de boas práticas

do mercado privado.

GOVERNANÇA E CONTROLE SÃO

PALAVRAS JÁ PRESENTES NA ROTINA

DAS GRANDES EMPRESAS. MAS

AS PEQUENAS EMÉDIAS ESTÃO

ACOMPANHANDO ESSEMOVIMENTO?

A missão das grandes empresas é

muito mais fácil. Elas dispõem de re-

cursos, departamentos e regulamentos

bem estruturados, com clara divisão de

responsabilidades entre seus diretores.

As pequenas e médias, em grande par-

te, estão atreladas à rotina dos donos,

não têm dinheiro nem tempo para lidar

com burocracias. No entanto, é nessas

situações que o papel das entidades se-

toriais se revela ainda mais estratégico.

COMO ESSAS ENTIDADES

PODEM AJUDAR?

Há várias possibilidades de coope-

ração: seminários ou palestras para

orientar as empresas afiliadas sobrees-

ses novos rumos, a destinação de uma

equipe especializada para apoiá-las e a

disponibilização de um plano-modelo

para as locadoras. Qualquer entidade

associativa deve ter como premissa

atuar como um canal para transmitir

informações de qualidade às empresas

que representa. Dessa forma, criaría-

mos uma grande rede de conhecimento

em favor de todo o Brasil.

l

blicos e colaboradores da empresa.

Além disso, a implementação de me-

canismos anticorrupção tem sido uma

condição obrigatória para viabilizar

acordos e parcerias com clientes es-

trangeiros. O ambiente de negócios já

estimula a transparência nas condutas.

MAS, MESMO DEPOIS DA

LEI, ESCÂNDALOS RECENTES

ENVOLVENDO O GOVERNO FEDERAL

E GRANDES EMPRESAS BRASILEIRAS

NÃO SEGUIRAM ESSA TENDÊNCIA.

É claro que há exceções, mas cabe

ressaltar que esses crimes foram de-

tectados e estão sendo investigados

em profundidade. Os envolvidos não

passaram impunes. O princípio da Lava-

-Jato, inclusive, começou pela iniciativa

privada e só depois a operação chegou

às administrações públicas. Aliás, o pró-

prio poder público é testemunha desse

cenário de mudanças. Os últimos dois

governos federais trabalharam tão in-

tensamente para fortalecer a influência

do Estado na economia que, ao final, o

enfraqueceram ainda mais. O desco-

lamento entre economia e política re-

presenta algo evidente e irreversível. É

se adequar a esse contexto ou se ade-

quar. Como parâmetro, a Itália, após a

Operação Mãos Limpas, não se livrou

totalmente da corrupção, mas o poder

do Estado diminuiu consideravelmente,

o que ajuda a impulsionar mudanças.

EM SENDO UM MOVIMENTO

MUNDIAL, O BRASIL NÃO ESTÁ

DEFASADO EM RELAÇÃO A

OUTROS PAÍSES?

O governo dos Estados Unidos edi-

tou, em1977, a

Foreign Corrupt Practices

Act

(FCPA). Somente em 1998, mais

de 20 anos depois, o Canadá e a União

Europeia puseram em prática uma le-

gislação específica de combate à cor-

rupção. No Reino Unido, isso ocorreu

em 2010. A primeira convenção das

Nações Unidas contra a corrupção, da

qual o Brasil foi um dos países signa-

tários, foi promulgada apenas em de-

zembro de 2003. Constatamos que,

em nível global, a adoção de normas e

procedimentos do gênero consiste em

um processo lento e gradual.

MAS SE TRATA DE UM PROCESSO

REALMENTE CONSISTENTE?

Não há como retroceder. No Brasil, os

primeiros sinais positivos começam a

surgir agora, tanto que a grande maio-

ria das demandas no nosso escritório

pela implementação de programas de

governança e

compliance

parte das em-

presas. Elas já demonstram essa ini-

ciativa em razão da própria predisposi-

ção de acionistas e diretores, que não

querem ser responsabilizados, como

pessoas físicas, por fraudes e desvios

ocorridos na companhia. Essa regra é

extensiva a todos os funcionários pú-

ESCRITÓRIO COMANDADO POR AZEVEDO SETTE (SENTADO À DIREITA) REGISTRA

CRESCENTE DEMANDA POR PROGRAMAS DE GOVERNANÇA

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