10
REVISTA
SINDLOC
SP
11
REVISTA
SINDLOC
SP
LIGARAMATOMADA
Carros elétricos ganham espaço definitivo na
estratégia das montadoras no Brasil e surgem
como a nova vitrine do mercado
O
que parecia uma realidade
distante transformou-se
agora em tendência. Os
carros elétricos conquistaram es-
paço cativo na agenda de priorida-
des da indústria automotiva. Mais
do que isso: os veículos que seriam
do futuro devem nortear, já a partir
de 2019, as metas de expansão
das marcas no mercado brasileiro.
A última edição do Salão Interna-
cional do Automóvel, aliás, funcionou
como uma espécie de vitrine para es-
ses modelos. A julgar pelo interesse
do público, o sinal verde está aberto. A
Revista Sindloc-SP
ouviu os executi-
vos das principais fabricantes do país
e detectou que, mesmo com focos di-
ferentes, elas vislumbram as vendas
diretas como um canal determinante
para o advento desses automóveis. A
percepção geral é que a maioria das
montadoras líderes de mercado ain-
da está com pouca oferta imediata e
abrindo espaço para as asiáticas.
100% elétrica
Apesar de ainda pouco conhe-
cida, a chinesa BYD opera no Brasil
desde 2015. A empresa, que tem
como um dos sócios o megainves-
tidor Warren Buffett, produziu 250
mil veículos elétricos em 2018, é a
maior fabricante de baterias e carre-
gadores do mundo e mantém inves-
timentos na área de energia limpa. A
montadora produz exclusivamente
modelos elétricos e adotou como
primeira estratégia ceder veículos de
testes para órgãos públicos – entre
os quais a prefeitura de São Paulo,
que atua com uma frota constituída
de sedãs e5, minivans e6 e ônibus
movidos a bateria.
O furgão t3, por sua vez, foi alvo
do investimento de companhias pri-
vadas, como CCR, Nestlé e Schnei-
der Electric, atraídas pela autono-
mia de 250 km com carga completa
e pelo padrão similar ao
da Dobló e da Fiorino.
“Estamos
apostando
em clientes cujas rotas
percorridas diariamente
não sejam superiores a
1 mil km, o que já viabi-
liza em torno de 6% a 8%
de regeneração da bateria. Os veí-
culos podem ser usados, por exem-
plo, para deslocamentos de execu-
tivos a partir de e para aeroportos
como os de Guarulhos (SP), Confins
(MG) e São José dos Pinhais (PR)”,
argumenta o diretor de vendas Car-
los Roma.
A projeção é disponibilizar de
200 a 400 carros para venda direta
em 2019. Como parte desse objeti-
vo, a BYD quer aproveitar suas fá-
bricas em Campinas para produzir
painéis fotovoltaicos que captam
energia solar e estuda um aplicativo
para que empresas acessem a ofer-
ta de eletropostos disponíveis en-
quanto os automóveis de sua frota
estiverem em trânsito. Além disso,
contará com o suporte da primeira
locadora brasileira de veículos 100%
elétricos
(quadro abaixo)
.
iStock
No radar das asiáticas
As grandes fabricantes asiáticas
também anunciam planos concretos
de incorporação dos elétricos à pro-
dução nacional. “Para a Nissan, 2019
será como um pontapé inicial antes
de disseminar esses modelos para
o consumidor final. Por isso, vamos
concentrar a atuação na venda direta,
por meio de uma rede de distribuição
em oito cidades”, revela Humberto
Gomez, diretor de marketing.
A expectativa de sucesso no Brasil
está ancorada no hatch médio Leaf,
líder global em números absolutos
de venda, com autonomia de 400 km,
um sistema capaz de controlar auto-
maticamente a velocidade e distância
do veículo em relação ao veículo da
frente, além do apoio de um motor a
combustão para alimentar a bateria. E
o melhor: uma das vantagens é a pos-
sibilidade de abastecimento na toma-
da de casa.
A Kia elegeu também seu carro-
chefe para ganhar força nesse seg-
mento. O crossover Soul vai de 0 a
100 km/h em 11,2 segundos e pode
rodar cerca de 250 km sem recarga.
Graças a um sistema de frenagem
regenerativo, o automóvel recupera
12% da energia cinética produzida.
Modelos com energia abastecida
por painéis solares também estão
em teste. “A partir de 2020, espe-
ramos que 60% da bateria possa ser
carregada dessa maneira em dias
de calor intenso”, comenta Ary Jorge
Lemos, diretor comercial, que apon-
ta a procura de algumas empresas
para inserir o Soul às suas frotas.
Dez capitais foram escolhidas para
receber esses veículos.
Novo player SÓ ALUGA CARROS ELÉTRICOS
O estímulo à produção dos elétricos levou à concepção da primeira locado-
ra brasileira especializada nessa categoria. A KWFleet, formada por espe-
cialistas nos segmentos de locação de automóveis e energia limpa, focada
em mobilidade urbana, inicia operações com locação de caminhões, vans e
automóveis. Além disso, terá um mix de serviços que abrange toda a in-
fraestrutura para carregamento com oferta de energia própria, certificada
como 100% verde e sustentável, e gestão de frota. Tudo estará embutido no
valor. Já em 2020, a finalidade é totalizar uma frota de 2.500 veículos, vol-
tada para empresas comprometidas com a consciência ambiental. “Apenas
com pedidos contratados, adquirimos a frota da BYD disponível para ven-
da no Brasil e outros 400 veículos de várias marcas para 2019. Além disso,
estamos conversando com diversas montadoras para atender à crescente
demanda”, afirma Gemerson Bertin, CEO da locadora.
Com o caminhão t8 e o furgão T3, a byd projeta atrair o interesse de empresas
privadas em busca de uma frota sustentável
Fabricantes asiáticas ingressam no setor de elétricos com a promessa de
investimentos maciços
Fotos: Divulgação




