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REVISTA
SINDLOC
SP
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SP
Inovação, mobilidade e
compartilhamento
A mobilidade urbana vive um
intenso processo de mudança.
Hoje vemos circular carros de
aplicativo, veículos autônomos,
elétricos, patinete, bicicleta, lam-
breta... Tem muita novidade no
segmento e cada empresa deve
ocupar o espaço que acredita ser
o mais valioso para seu negócio.
Consolidação do setor
Nos países em que o aluguel de
carro já se tornou uma atividade dis-
seminada tanto entre pessoas físicas
como entre jurídicas, a consolidação
é uma realidade. No Brasil, não acre-
dito que seja diferente. À medida que
as grandes companhias ganham cor-
po e escala, os desafios multiplicam-
-se nas pequenas. Elas ainda terão
espaço para atuar, desde que traba-
lhem em nichos bem determinados.
Isso acontece até mesmo nos Esta-
dos Unidos, cuja indústria de aluguel
de veículos registra 80% do movi-
mento concentrado em três players.
Atuação regional e
sustentabilidade
Mesmo emummercado como
o norte-americano, as locadoras
com enfoque regional conseguem
sobreviver e gerar valor. Mas
Mattar faz uma ponderação. “O
crescimento em rede é bem mais
complexo que o orgânico, e está
diretamente associado ao grau de
competitividade local”, avalia.
HÁ NICHOS DE
MERCADO PARA TODOS,
BASTAENCONTRAROSEU
Eugênio Mattar, CEO da Localiza, indica o que fazer para
sobressair no mercado diante da transformação do consumidor
M
esmo em um ano envolto
por incertezas político-
-econômicas, a indústria
de locação de veículos apresen-
tou um desempenho positivo, com
avanços consideráveis estimulados
também pela baixa dos preços de
aluguel dos carros.
Para Eugênio Mattar, CEO da
Localiza, o setor aproveitou-se da
transformação do perfil do consu-
midor, na qual tanto empresas como
pessoas físicas estão optando por
contratar o serviço de locação em
vez de ter a posse do veículo, fruto
da popularização dos aplicativos de
mobilidade. “O ambiente tem sido
favorável e acredito que o ano apre-
sentou um crescimento positivo, a
despeito das condições macroeco-
nômicas”, ressalta.
Fortalezas do setor
Acredito que a popularização
dos novos meios de mobilidade e
a estratégia das empresas foca-
da na crescente utilização do ser-
viço de aluguel de veículos são al-
gumas das principais forças que
o setor tem a seu favor.
Fraquezas que devem
ser trabalhadas
Trata-se de uma indústria com-
plexa, ora B2B e outras vezes B2C,
que demanda um capital intensivo e
uma logística pesada. O setor pos-
sui muita mão de obra dependente,
sempre indexada à inflação, no con-
texto de um mercado muito compe-
titivo, commuitas empresas.
Terceirização
de frota
Certamente, o número de em-
presas que ainda têm uma frota
própria é muito grande. Por isso,
acredito que ainda há enorme po-
tencial a ser explorado.
Concorrência
no RAC
Sob a ótica das pequenas e
médias empresas, que são ma-
joritárias e incluem as franquias
das redes, ainda há espaço para
desenvolver novos negócios?
“Cada empresa precisa achar
o seu nicho e suas vantagens
competitivas para ser bem su-
cedida e prosperar”, diz.
IStock
Indústria e venda direta
Nossa atividade está muito
integrada com a indústria au-
tomotiva, o que faz com que a
venda direta tome uma grande
proporção na matriz de negócio
das montadoras. É uma tendên-
cia natural também no Brasil.
Crescimento dos seminovos
Muito difícil prever, pois ainda não
temos a noção correta do cenário
econômico dos próximos anos, então
não há indicadores de que isso vai
acontecer. O segmento de semino-
vos está mais ou menos estagnado
em relação ao ano anterior, um obs-
táculo a ser superado.
Experiências
internacionais
Naturalmente, os países da
Europa e os Estados Unidos têm
uma experiência mais vasta em
locação de carros, pois contam
com frotas muito maiores e sim-
bolizam uma indústria antiga e
muito concorrida. Acho que po-
demos aprender de tudo com
eles, desde processos até a di-
nâmica da competição. Nem tudo
pode ser aplicado, mas o apren-
dizado é essencial.
Caminhos para estimular a
cadeia produtiva
Acreditamos muito no livre mer-
cado, na simplificação de impostos e
relações de trabalho. É preciso haver
maior facilidade das empresas para
exercer a atividade empresarial. O
Brasil convive com uma elevada bu-
rocracia na arrecadação de impostos
e no controle de todas as obrigações
legais. Uma simplificação do ambien-
te de empreender seria fundamen-
tal para estimular qualquer negócio
e me parece que o próximo governo
tem isso como meta.
Uma dica para as locadoras
Acredite no seu negócio e gaste
tempo e energia para que a empre-
sa seja melhor e mais produtiva.
Invista no atendimento ao cliente e
procure ocupar um espaço próprio.
Permanecer num
marketplace
que
concentramuita concorrência sem-
pre é mais difícil, o que exige bus-
car um nicho de mercado e criar as
próprias vantagens competitivas.
EUGÊNIO mATTAR
CEO DA LOCALIZA
Fotos: Victor Gontijo




