6
REVISTA
SINDLOC
SP
7
REVISTA
SINDLOC
SP
ANODE RETOMADADA INDÚSTRIA,
COMAUXÍLIOPRECIOSO
DASLOCADORAS
Para consultor especialista no segmento, 2018
foi o período em que as locadoras estavam no
lugar certo na hora certa
P
assado o auge da crise econômi-
ca, 2018 representou a retoma-
da para o setor automotivo, que
já vinha apresentando crescimento
gradual em 2017, com intensa parti-
cipação do setor de vendas diretas. A
aprovação do Rota 2030 também foi
um avanço para o setor, e o ano ainda
foi impactado pela greve dos caminho-
neiros, mas, apesar disso mostrou re-
sultados expressivos para as empre-
sas de locação de veículos, em razão
da mudança no perfil do consumidor,
cada vez mais adepto do comparti-
lhamento e da não propriedade do
automóvel. Para Ricardo Bacellar, líder
do setor automotivo da KPMG, basta
olhar para as empresas listadas na
Bovespa. “O número as locadoras de
veículos estão numpatamar de causar
inveja a qualquer empresa”, crava.
em relação aos produtos embarca-
dos como soluções de conectividade,
dispositivos de mobilidade e siste-
mas de logística de transporte.
O que o programa traz em
termos de mudança?
O programa exigirá das empresas
atenção redobrada na avaliação dos
projetos elegíveis e nos dispêndios que
serão incluídos. Além disso, sua manu-
tenção demandará cuidados na habili-
tação, no acompanhamento e na pres-
tação de contas ligadas aos incentivos
fiscais. Também foi muito importante
ao contemplar três ciclos de desenvol-
vimento e perspectivas de revisões se-
letivas a cada cinco anos. Em termos de
mudança efetiva, o programa propor-
cionará a produção de carros mais se-
guros e eficientes, partindo do uso de
tecnologias cada vez mais evoluídas,
com produtos capazes de competir no
mercado mundial, fruto de investimen-
tos em pesquisa e desenvolvimento.
As montadoras passaram o
ano revendo estoques para
evitar excesso de produção.
Elas mostraram-se um pouco
mais racionais em 2018?
Este foi um ano de recuperação e
da tomada de consciência de que
chegamos ao fundo do poço. No auge
da retração, as montadoras traba-
lharammuito focadas na administra-
ção de estoques, ação que é funda-
mental dentro da estratégia do setor.
As apostas para 2019 são de novo
crescimento, na casa de dois dígitos,
porém com um índice um pouco mais
baixo que o deste ano.
Que balanço da economia
e do setor de serviços pode
ser feito?
Um dos grandes baques deste
ano foi, sem dúvida, a greve dos ca-
minhoneiros, que afetou toda a ca-
deia de logística e transporte. Esse
cenário reforça a preocupação sobre
como o novo governo dará atenção a
essa questão tão sensível. Quanto ao
segmento de locação de veículos, o
crescimento foi exponencial. As em-
presas souberam aproveitar e explo-
rar muito bem um nicho de mercado,
favorecido pela mudança do perfil
do consumidor, que caminha cada
vez mais para um futuro de mobili-
dade e compartilhamento, e não de
propriedade do veículo. Basta olhar
as empresas do segmento listadas
na Bovespa para ver que muitas de-
las se encontram num patamar que
qualquer companhia, independente-
mente do porte ou do setor, gostaria
de estar. Foi uma questão de estar
no lugar certo na hora certa.
Quais as inovações que
ganharam força em 2018?
O consumidor está cada vez mais
conectado. Para se ter uma ideia, o
Brasil é o segundo mercado mundial
de consumo de aplicativos, principal-
mente os de mobilidade, como o
Uber. Eles estão na preferência de
qualquer jovem e a indústria aprovei-
ta-se dessa tendência. Hoje existe
um processo consolidado de inova-
ção e uso de tecnologia embarcada,
que torna os veículos cada vez mais
atraentes, inclusive os de entrada –
o que beneficia o segmento de loca-
ção. Trata-se de um fluxo contínuo
de inovação, como os lançamentos
anuais dos smartphones.
O que evoluiu no país em
termos de carros elétricos
e autônomos?
A adesão de novas tecnologias
bate de frente com a carência de
captação de investimento. Hoje, o
mundo inteiro fala em veículos autô-
nomos, mas por aqui estamos com a
agenda muito atrasada. Não temos
QUEM:
Ricardo Bacellar
DETALHE:
O executivo é sócio da KPMG e diretor de relacionamento para
a indústria automotiva, responsável pelo desenvolvimento e acompanha-
mento da estratégia do setor. Ele também desenvolve o mesmo papel atu-
ando diretamente com Fiat, Michelin, Nissan, Peugeot-Citroën e Renault. É
professor de pós-graduação em gestão de relacionamentos empresariais
na PUC-Rio. Bacellar é formado em análise de sistemas pela Faculdade
Nuno Lisboa, comMBA e mestrado em gestão empresarial pela PUC-Rio.
O ano de 2018 marcou a
aprovação do Rota 2030. Qual
é sua visão do programa?
A aprovação do Rota 2030 foi
uma grande conquista da indústria,
fruto de intenso trabalho nos últimos
três anos, uma vez que já se sabia
que o Inovar Auto tinha um prazo
de vigência e não havia uma solução
imediata que desse continuidade ao
programa. Seu objetivo é apoiar o
desenvolvimento tecnológico, a com-
petitividade, a inovação, a segurança
veicular, a proteção ao meio ambien-
te, a eficiência energética e a qualida-
de de veículos produzidos no país. O
setor automotivo sofre uma profun-
da transformação, com expressivos
investimentos em novas tecnologias
focadas não somente no modo de
produção de veículos, mas também
como evoluir na velocidade do res-
tante do mundo, sem uma mudan-
ça que passe pelas esferas federal,
estaduais e municipais. Já o carro
elétrico, por hora, ainda esbarra na
dificuldade de investimento e infra-
estrutura, o que não impede que, em
breve, venha a ter sucesso. Ainda
existe uma lacuna a ser trabalhada,
mas que não é tão grande quanto
a implantação do carro autônomo.
A grande pergunta é: “Quando vai
deslanchar?”.
A indústria ainda é impactada por
volume, o que define os preços. Até
chegar num patamar ideal de volu-
me, os produtos eletrificados ainda
terão um custo muito alto. Há ainda
questões de infraestrutura de re-
carga, mas que terá um salto muito
grande em 2019, com as empresas
de petróleo se movimentando para
fechar acordos com montadoras a
fim de criar pontos de recarga elé-
trica acoplados aos postos de com-
bustível. Toda essa movimentação,
evidentemente, incentiva a chega-
da mais rápida dos veículos elétri-
cos, sendo apenas uma questão de
tempo para que se torne um mer-
cado competitivo.
n
iStock
Divulgação




